quarta-feira, 24 de março de 2021

Nimic de simțit

Repetições e repetições, dedos caminham em círculos pela faca enferrujada e você dependurado resmunga palavras inaudíveis.
Estou surda do ouvido esquerdo há mais de uma semana e me lembrei de quando você deitou a primeira vez em minhas coxas não podendo escutar minhas lamúrias.
O sangue goteja rapidamente, infelizmente quebrei mais uma regra e não podemos chorar como as batidas na porta.
Um, um dois, três, cinco, você repete e repete, meus olhos reviram e o eco do seu grito é silenciado pelo meu ouvido mas o gotejo estremece.
Te implorei para que não brincasse com minha caixa de alfinetes, você sabe, meu amor. Eu daria meu peito pelos seus olhos...

Arrancados.

Alegoria do coração partido

O vinho envenenado que me pus a tomar ao anoitecer me traiu as expectativas, planejava te assombrar antes das onze.
O sussurro da loucura já me tirou toda a sanidade, já não compreendo as palavras que saem daquele disco velho arranhado que somente se repete.
Os dias caminham lentamente e eu me vejo andando em círculos pelas palmas de suas mãos, tão pequena e tola, me enxergo como aquele seu cinzeiro lotado de pequenas bitucas para saciar sua ansiedade.
Eu não pude te esperar borrar meu batom com seus lábios secos que nunca me pedem perdão, fujo sem me mover e me afundo nessa profundidade que somente eu me disponho a sentir.
Eu não aguento mais sentir tanto... por nada...