sábado, 13 de agosto de 2022

Adormecida

Alimentado por visceras podres dos amores degolados, seu coração ainda palpita ao ver as lágrimas de seus rostos angelicais?
Elas gritam e gritam por compaixão.
Vivo como um deus misericordioso que nunca se contenta com o perdão.

Seu olhar amendoado carrega o cheiro ferroso de sua saliva amarga.
O punhal descama em suas mãos tremulas.
Por inúmeras repetições, seu vício reverbera pelas estrófes como risos agudos.

Por quantos sonhos mais eu terei de enfrentar a fragilidade como um lobo faminto?
Do seio seco à acidez estomacal, os olhos saltam e o sangue escorre.

Queria afoga-la e perfuma-la com alcaçuz. 
Apodrecida como flores mofadas.
Eles nunca a encontrariam.

Aguardo ansiosamente pelo sofrimento.
;sorria;