eu me recuso a ouvir seu nome
tranco as portas do dia
não quero notícias
não quero te ver nunca mais
mas quando durmo
a mente trapaceia;
e resgata o que escondo até de mim...
nas entranhas oníricas
me debruço nua sobre você
busco a textura da pele
a espessura familiar dos pelos sob os meus dedos
procurando o abrigo sufocante do nosso começo
lembro de quando o desejo era simples e denso
a sua ereção pulsando rígida contra o meu corpo
o gosto úmido e quente da boca que eu devorava
a enxurrada viva do meu próprio sexo escorrendo sem pudor
transbordando na cama como se o mundo fosse só aquilo...
eu amava a pressão
o encaixe perfeito
o calor absoluto dos seus toques
amava cada centímetro do seu corpo
antes de tudo apodrecer
antes do afeto virar nojo
antes de cada carícia minha virar mágoa
antes de cada toque virar um peso que me dava náusea
que raiva dessa febre que me habita
desse desejo covarde que não respeita a minha repulsa
odeio a minha própria pele por guardar a memória exata
de como você me preenchia
e na mão esquerda
a ferida me encara;
uma fenda aberta jorrando esse vazio
sem pavor //
só com a urgência brava e amarga
de quem esfrega a pele no escuro até arrancar o excesso
tentando lavar o rastro de tudo o que foi bom
pra que ninguém desconfie
do quanto você ainda me sangra por dentro...