O vento abre portas que jurei trancar, invade com passos leves como quem conhece o caminho
Há presenças que ocupam espaços que não deveriam existir, palavras que se escondem através de gestos mínimos
Há olhares, sussurros, movimentos quase imperceptíveis se espalhando pelo ar, comprimindo o peito e ocupando cada fresta
Cada respiração é uma negociação com a memória e cada sopro empurra lembranças que eu tentei enterrar como pedras no fundo do poço
O medo se enrola no corpo apertado, comprimindo e ocupando cada espaço vazio
Como objetos invisíveis carregando verdades silenciosas…
O vento abre feridas e atravessa a pele com suas portas entreabertas, me mostrando que algumas dores não desaparecem com distância ou tempo
Não há chão, nem teto, não há válvula de de escape e a pressão crescente de tudo que foi escondido… de tudo que finge não ser nada e ainda assim, me atravessa como punhal
Esquecer sem vigiar o esquecimento é a tentativa inútil de respirar entre sombras, de tentar existir sem ser esmagada pelo peso do que ainda permanece
E a casa antiga carrega no peito o cheiro de tudo que já tentei esquecer, pois o silêncio é a pior forma de traição