quarta-feira, 24 de setembro de 2025

I'm sick of waiting patiently for someone that won't even arrive

Eu te amei na primeira dobra do tempo
No impacto lento de quem se atira no abismo por pura saudade

Você guarda a mágoa sob a língua
Mastigando o silêncio até que ele te sangre feridas não cicatrizadas

Você não é meu único tormento...

Mas por ti eu entregaria a vida, afogaria meus navios
Só que quando olho em seus olhos
Sinto que só enxerga a sombra que restou em mim

Esperando que meus gritos não vão te incomodar...

No desequilíbrio que a beleza do amor se dissolve em dramática trama
Sustentando pontes com os dedos gastos
Num sacrifício oculto que ninguém mais vê

Quando a pressão é insuportável, o chão cede e terra me abraça...
Eu sou a única estragando suas molduras de paz

Sou a culpa e caos
Limpando a mesa e deixando sangue no assoalho

Sempre sonolenta
Esperando que entenda
Que cada pedra que deixaste no caminho
Não te equilibrou em cima do muro
Só o construiu entre nós

domingo, 21 de setembro de 2025

True love waits in haunted attics

Eu te desejo com a dor do osso e a fome da carne
Mas minha pele é um mapa de cicatrizes que o mundo me fez

Você me procura com as mãos e eu me encolho
E eu só queria me entregar como quem se desarma

Eu queria nunca te ferir, te adornaria em um pedestal dourado
Onde mais ninguém pudesse tocar

Eu te cantaria repetidas canções para te aninhar em meus braços
E te mostraria o mundo sem que minhas feridas fizessem sombra

Construiria castelos invisíveis numa muralha de gestos gentis
Mas as minhas feridas não me deixam ser abrigo

Mal sabe você que no fundo eu só queria desmoronar nos seus braços
Morrer como um passarinho ferido que encontrou um lugar para se desmanchar em paz

Ig-nício do meu El

Faço e refaço cartas silenciosas
Que poderiam te contar todas as noites que passei em claro
Encenando cada um de nossos infortúnios

Talvez eu não seja boa anfitriã já que abrir demais o peito é minha ruína
E não sei ser metade de nada, afinal, novamente, mal sei quem sou….

Passaria horas a ouvir teu eco de concha devolvendo o mar aos meus ouvidos
Pois tua risada choca minhas montanhas 
E o vento me força a recontar todas as vezes em que fomos um…

Não sei se é exagero ou doença
Temos a nossa própria visceralidade e sinto que não existo se não te amar
Com a fome de um cão que chora sem nem saber mais o porquê

Por mais que eu tente erguer pilares, tem horas que sou mais escombro
Mesmo lembrando que por mais do que a metade da minha vida
Eu sempre tenha me sentido sozinha 

Tento não te perder mesmo quando o impulso me vomita insatisfações 
E meu coração frágil como vidro estilhaçado
Realinha meus pedaços, só para te sentir inteiro de novo

Nunca me cansaria de ti
Embora eu reclame de inúmeras coisas que mal me deixam respirar fora do fatalismo

Às vezes me fecho…
Como uma caixa cuja fita, ao sair, rasga tudo…

Na maior parte do tempo sou, porém, um sapato velho
Que abre a sola ao caminhar
E não posso levantar demais o pé pois nunca sei como vou pisar….

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

For all the ghosts that are never gonna catch me

Seu rosto remenda minhas paredes engolidas em cicatrizes
E quanto mais me escondo em minhas manias repetitivas
De organizar as folhas dos jornais amarelados da década passada
E seus blocos de montar espalhados pela casa

Quaisquer eram e seriam tuas estrofes preferidas
Eu nunca me deixo me imaginar sem você
Mesmo nas dores que sabotam meu interiço

Sigo, empilhando memórias como tijolos úmidos
Tentando erguer um abrigo que insiste em desabar
E cada porta que fecho é só um gesto inútil contra a infiltração 

Tento reafirmar os limites
Arrumando os rastros
Dobrando as mesmas páginas
Colando as mesmas rachaduras
Tentando ordenar um mundo que desmorona

Como se cada gesto de cuidado fosse uma defesa
Contra o que não posso tocar
Mas que insiste em tocar tudo que sou
Me assombrando com sussurros que ninguém mais ouve

Ela vaza pelo rejunte
Invade cada canto, cada fresta
Seus sussurros se misturam aos meus
Uma presença que não deveria existir
E que agora se recusa sair

E mesmo quando fecho os olhos
Ela se enrosca nas frestas da minha retina
Não há portas, nem paredes, nem tijolos
que consigam deter sua sombra crescente

E mesmo quando penso que posso respirar
Seus passos ecoam antes mesmo de chegar
Ela se aperta contra minha garganta
Até que tudo que éramos pareça errado

E me encontro em um labirinto onde só ela se sente em casa
Como se quisesse possuir não só o espaço
Mas o passado e o futuro que não lhe pertencem...