quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Burgau

Sua respiração ofegante não nega, a flecha envenenada cravada em seu joelho tão dolorosa caminha lentamente por sua face por todo suor gélido que te escorre.

Sua mão tremula forrada por seu sangue amargurado e seus lábios mortos cobertos por ingratidão. Te aguardei, em seus olhares vagos e esperanças fragmentadas me deflorar com sua infelicidade.

Dos sonhos incandescentes, o cálice vinagrado de rachaduras respingantes colore o trajeto. Teu solo avermelhado e suas flores áridas rastejantes, tuas serpentes simbiosas te enrrijecem os dedos e me amarram rente ao teu corpo.

Em devaneios entreguei meu peito como recompensa pelas fantasias que me ofuscaram os olhos, turvida visão desabrocha inconstâncias por mero passatempo da desordem.

O caos acometido pelos pecados dos falsos virtuosos, vulneráveis degradações desmoronam as muralhas que envolvem o palácio dos traiçoeiros.

Todos cairão. Finalizem os tolos e guardem seus corações pois da ruína me levanto para me alimentar de seu âmago.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

No place to go...

Construí um belo jardim mas as raízes insustentáveis de uma árvore oca acorrentam-me rente ao chão. Desconectados de meus galhos não me permitem alçar vôo ao céus que me aguardam desde semente.

Sempre em repetições quais raízes são entorpecidas pelo medo, anseiam pela vida por entre folhas secas ao mastigarem da seiva que se definha dia após dia.

"Quem não adoeceria?" Disseram os olhos esbugalhados que me amaram como sangue. Nunca pertenci à minha própria história, sempre escapista por nunca ter onde descansar sem ranger os dentes.

Frágil, nunca frágil. Sobrevivi me envenenando antes que pudessem me matar primeiro, antes que pudessem tomar de minha vida sem piedade.

Solo já seco que não sustenta mais o peso do meu vazio, frutos ocos não renascem de suas sementes imaginárias e pelo próprio vazio transformam-me em pó, como aqueles que me enfiariam sete palmos abaixo da terra sem remorsos.