quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Jaz como jazz

Recordo-me de toda sua transcendência inconstante, com um quê de quem não sabe o que realmente faz.

Imprudentemente vivenciando seu viciante ego, morrendo em seu corrupto mundo interno.
Seu oculto nunca passou de apenas inúmeros trechos avulsos, de livros que eu nunca pude ler.
E aqui jaz, como um jazz às quatro da tarde que acompanha os pés de nossos libertinos.
Como soa a poesia, como sol, como ré, como um grande desgaste.
E nestes versos permanecerá esquecido, teu nome, teu cheiro.
Porque aqui jaz quem nunca te esqueceu.

20/09/13

Pele por pele

Rastejando entre os destroços, Fausto não vagueia em desordem pelo meu caminho
Em um trajeto sem fim, eu me decompus antes de encontrar a glória 
Não há nada em meu coração que não tenha sido perfurado por olhos sangrentos 
E não há como polir o que já quebrou 
O jogo nunca pode ser abandonado antes do fim 
Não há como desistir do que seu coração quebra na repetição pelo sabor da viceralidade 
Como os dias de quem respira por debaixo d'água 
Vivendo em sua banheira suja para todos os seus vômitos embriagados 
Não há nada aqui para me impedir de ir além, não conheço o que é estar em segurança
Eu não posso deixar você me sufocar pelas correntes que eu nunca perdi
Estamos brincando com peças que não cabem 
Das pequenas fagulhas sob o prego de plástico 
E das cicatrizes do coração de vidro alcalino

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Ofélia

Fui puxada pelos tornozelos ao fundo do mar, Ofélia, meu pulmao regurgitou o veneno velho.
Arrancaram-me os olhos durante minha serenata lacrimal e ele me entregou sua adaga batizada de água salina.
Retomo do veneno como uma flor velha esquecida e meu peito como a secura de uma lua minguante.
Eu não deveria ter fechado os olhos pois a água me atirou entre as pedras.
Ofélia, eu nunca esperei morrer de verdade, algo por dentro se partiu e não foram os ossos...