te ansiava desde o primeiro instante que te vi
sombra avermelhada, poderia traçar meu batom pelos recantos da tua carne
segurar seus dedos rente ao meu corpo para dançar em silêncio
// o pulsar dos corações a única melodia
por amarras imaginárias, atada por medos
nas escadas da alvorada tirei meu coração de uma cartola velha
seus olhos penetravam minha pele, para ti desnuda
assim como em todas as vezes que meus olhos encontram os seus
cada aspecto do amor qual orbita cintilantemente por peças que se encaixam tão bem
te montaria como quebra cabeça espalhado pelo meu chão
pelo resplandecer tu desliza por minhas coxas quais úmidas te aceitam feito constelação
desvendando-me raiz e matriz, te sussurando cantigas novas quais eriçam a pele
e mesmo confusa pelas vozes de minha cabeça, tu me traz certezas
sete dias foram o suficiente para aguentar de meus grilhões
sonhando com tua voz ressoando por debaixo de meus lençois,
chamo por seu nome mais uma vez, carimbando-o por meu corpo sonolento
como em cada riso bobo ao rolarmos na cama pele-sob-pele
te quero sempre meu
para ser sempre sua
quarta-feira, 31 de janeiro de 2024
our bed knows more than any love song
terça-feira, 30 de janeiro de 2024
I've gotta love also the other half of me
Sempre fugindo por entre as frestas e sempre escorrendo por meus dedos, de tantas personas os mesmos pensamentos; Eu fui perdoada pelo que me tornei// Lírico, mas não te esqueças da plena desconfiança e de suas facas enferrujadas enroladas por debaixo do seu colchão.
Dissolvo o pesar. Inequívoco.
Te perdi em um sonho, te encontrei jogada e amargurada. Presa pelos tornozelos rodopiando em sua cama de ferro. Te cuidarei como um pássaro ferido, por todas as vezes quais não pude te entorpecer em algum recepiente salino.
Desperta-te. Para si.
Mais temida é a vida do que a morte. Tema os vivos, disseram caminhando por túmulos de flores amarelas e versos em vitrais. Eu não poderia mais me repetir como venho fazendo há sei lá quantos mil anos. Perdão.
Sou como ti, parte de ti. Quebrada e vislumbrada por todos os meus cacos quais sangro ao apertar sedenta para senti-los como mais uma parte minha. Em quantas partes se pode ser mais um alguém?
Espumante. Da saliva as palavras são somente mais uma deglutição.
Quantas horas se passaram desde que sentei para falar de perdão? Eu nunca sei perdoar; escavo ruínas para escrever sobre suas fundações enferrujadas.
Ela sou eu. Mesmo que em uma realidade muito mais distinta. O pássaro perdido se curva para enfim descansar. Enceladus/ Lírico, quisera eu continuar essa mentira… da realidade há amargo e doçura, é o mesmo ambiente. eu sei.