sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Deserto da superficialidade

A solidão incógnita pede passagem.

Para a busca do caminho que eu nunca consegui trilhar.
A verdade é o sofrimento interrupto que alimenta nossa alma.
Que me repele de meu interior.

Neste quarto escuro, a poeira do desconhecido me encanta.
O desespero do existencialismo é o devaneio da criação.
O anseio torna a fertilidade seca.
O passado nos torna impuros.
O inalar da consciência nos contamina. 

O vazio é a imensidão que consome meu calor.
A melancolia perfuma o inconsciente e a dor é a pena que aparenta ser arte.
O coração me toma na ânsia do desapego.
O vento sussurra sua loucura.

Conforto do não-ser.
Retalhos de uma identidade volátil e inescrupulosa. 
A jaula da desfiguração retoma as rachaduras da parede.
A desolação me consome as vísceras. 

Fito as formas que entram pela fresta entreaberta da janela.
O tremor de minhas pernas me cativa o desespero.
O vento impiedoso me arrepia a espinha.

Contemplo minha sombra solitária.
A ilusão é o exílio.
Torno-me realidade do não-sou.

Esta sombra não é minha.
Mas de quem mais seria?
O deserto deste quarto é inexistente.
As companhias da solidão me consomem.

A solidão incógnita pede passagem.
Para a busca do caminho fantasioso.
A verdade é o único real sofrimento.
O deserto é apenas a face que esconde os monstros.

A verdade é que nunca estamos sozinhos.
A dor sempre nos acompanhará...

26/01/2015

dessèchement

As nuvens em delírio fugiam do céu, minhas mãos sedentas pela chuva caçam palavras peregrinando por repetições.

Os justos não previram, a secura não suporta a profundeza do amargor que fez minhas raízes definharem por anos antes que as folhas pudessem alaranjar ao solo.

O tempo me permitiu estar ao avesso, tenho medo de voltar a ser triste como antes pois em meu cemitério de relógios velhos ainda me sinto só.

Eu sei o quanto custa forjar a vida por dentro de um crivo remendado, o cheiro das rosass que me confundem o paladar e o ruído incessante do meu ouvido esquerdo não me permite enxergar a realidade em suas linhas tortas.

Ao afazer descompassado da memória dos cavaleiros errantes, a arvore dos desejos se definha na espera da insurgente nascente lacrimal.