A solidão incógnita pede passagem.
Para a busca do caminho que eu nunca consegui trilhar.
A verdade é o sofrimento interrupto que alimenta nossa alma.
Que me repele de meu interior.
Neste quarto escuro, a poeira do desconhecido me encanta.
O desespero do existencialismo é o devaneio da criação.
O anseio torna a fertilidade seca.
O passado nos torna impuros.
O inalar da consciência nos contamina.
O vazio é a imensidão que consome meu calor.
A melancolia perfuma o inconsciente e a dor é a pena que aparenta ser arte.
O coração me toma na ânsia do desapego.
O vento sussurra sua loucura.
Conforto do não-ser.
Retalhos de uma identidade volátil e inescrupulosa.
A jaula da desfiguração retoma as rachaduras da parede.
A desolação me consome as vísceras.
Fito as formas que entram pela fresta entreaberta da janela.
O tremor de minhas pernas me cativa o desespero.
O vento impiedoso me arrepia a espinha.
Contemplo minha sombra solitária.
A ilusão é o exílio.
Torno-me realidade do não-sou.
Esta sombra não é minha.
Mas de quem mais seria?
O deserto deste quarto é inexistente.
As companhias da solidão me consomem.
A solidão incógnita pede passagem.
Para a busca do caminho fantasioso.
A verdade é o único real sofrimento.
O deserto é apenas a face que esconde os monstros.
A verdade é que nunca estamos sozinhos.
A dor sempre nos acompanhará...
26/01/2015