terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

It will take you to the darkest part of the weather

Seria impossível pintar sobre o amor tanto quanto escrevo sobre a falta dele. Eu te via escrever poemas em suas teclas manchadas enquanto seu cigarro velho entortava detrás de sua orelha.

E eu nunca entendia quando você me dizia que eu era sua única plenitude, logo você que vivia sua vida enquanto eu deslumbrava de minha solidão.

Seus olhos ainda me sussurram a dor da partida, como arranha céus que nunca tocam o paraíso, ainda temos o ar da dor nublando nossas janelas.

E eu ainda penso sobre nossos passos tortos dançando na chuva, na cozinha e no vazio da sala de jantar da casa da sua mãe em pleno domingo de natal.

Tenho o cheiro do seu pior perfume impregnado no meu abraço e conto os dias para nunca mais te ver, mesmo que te veja até dentro de minhas pálpebras . 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

pain always pain

Quando o despertador toca, nunca sei quantas vezes a mesma quarta-feira se repete.

Um regador rachado e um solo infértil jamais poderiam nutrir minha árvore genealógica, cujas raízes se entrelaçam em terras áridas de desilusão.

Quando o despertador toca, não me lembro mais quantas vezes me afundei nos seus discos velhos, tentando ser mais como você e impedida de repousar sob minha própria pele. Montando casinhas de bonecas feito criança enquanto só queria um verdadeiro lar.

Minha herança maldita. Presa como uma estranha em minha genealogia, sempre vista como uma praga.

Quebrada, fragmentada, incapaz de ser curada. Andando em cacos de vidro, e nas farpas de sua indiferença.

Linhagens dilaceradas, nunca satisfeita.

Preciso apenas partir, antes que me parta.

dream is destiny

O véu maculado serpenteando pelo átrio profanado, arrastando-se como um espectro sobre o chão ensanguentado.

As flores, lívidas e exauridas, sucumbem à cadência inexorável do tempo, que sorve suas lágrimas com a frieza de um carrasco.

O diamante anelar cravado em carne viva, carrega o fardo de um destino irreversível.

Os tormentos esculpidos com precisão entranham-se em suas preces, enquanto os remorsos orbitam impiedosos nas vísceras de sua cobertura glacê.

Seus amados curvam-se sob a tragédia consumada carregando seu caixão dourado atravessando as portas austeras da casa de Deus, enquanto lamentam a ruína de um nome que já não lhe pertence.


Aceitas a tormenta de seu destino?

Aceito.