sexta-feira, 22 de outubro de 2021

dessèchement

As nuvens em delírio fugiam do céu, minhas mãos sedentas pela chuva caçam palavras peregrinando por repetições.

Os justos não previram, a secura não suporta a profundeza do amargor que fez minhas raízes definharem por anos antes que as folhas pudessem alaranjar ao solo.

O tempo me permitiu estar ao avesso, tenho medo de voltar a ser triste como antes pois em meu cemitério de relógios velhos ainda me sinto só.

Eu sei o quanto custa forjar a vida por dentro de um crivo remendado, o cheiro das rosass que me confundem o paladar e o ruído incessante do meu ouvido esquerdo não me permite enxergar a realidade em suas linhas tortas.

Ao afazer descompassado da memória dos cavaleiros errantes, a arvore dos desejos se definha na espera da insurgente nascente lacrimal.

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