Na noite traiçoeira roubei suas lanças de cobre para que na caçada sua sombra pudesse me acompanhar, desejei por anos que o reflexo de seus olhos me guiassem pelo bosque da perdição enquanto sussurrante suas mentiras me acalentariam o peito.
Mas quando estendeu suas mãos naquela noite chuvosa, pude sentir o quão ásperas eram suas esperanças e o quão doce suas falsas lágrimas pareciam. Eu não desejaria repetir desse veneno por toda eternidade.
Em sua caixa de pérolas, escondia seus poemas mais lutuosos que se perdiam no cheiro das flores secas roubadas dos túmulos desconhecidos quais visitava apenas para chorar.
Ainda sinto seu olhar como castigo por detrás de meus ombros, mas suas feições continuam se dissolvendo e te transformando em um eterno fantasma disforme.
Gostaria de te abraçar como costumava fazer nas noites solitárias que me lembram a solidão em sua presença, mas para isso precisaria desenterrar seu corpo primeiro.
É uma pena que tudo seja sobre você.
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