Receosos os tolos temiam a cura das lágrimas de sangue da princesa amaldiçoada
Que presa pelo calcanhar, foi arremessada como punição na Lagoa da Incúria.
Princesa sem dragão e torre, versos que se tornaram cantigas de seus longos anos temendo sombras imaginárias. Aguardava trancafiada em sua esperança pelo príncipe que em um doce beijo lhe presenteasse o ar enquanto o sangue de suas lágrimas curariam o coração de seu amado.
Afogada pelos seus sentimentos, os anos se passavam lentamente e a princesa já não temia a água como antes. Paisagens por estações transitavam e seus castelos se transformavam em arranha-céus enquanto a lenda da princesa se tornava esquecida.
(...)
O canto calado de um rouxinol com o bater de suas asas ençurdeceu o caminhar do viajante, que pelas águas turvas não via seu reflexo enquanto a amaldiçoada gritava por debaixo d'água pelo socorro que nunca se apresentava.
Por noites e noites o jovem viajante buscava por pistas da lenda do tesouro no fundo de um lago turvo, história tal ouvida pelos lábios cansados de seu avô, soavam como um assombroso destino.
Longos cabelos negros dançavam com seu vestido azulado desbotado, a amaldiçoada sonhava em ser um rouxinol esquecido em pleno ar... morrendo lentamento pelo cansaço de cada batida de suas asas e sendo enterrada pelas mãos de um viajante que a amasse em sua fragilidade como companheiro de uma vida.
(...)
E o viajante com sua bússola quebrada que mostrava outra direção... mantinha solitária a princesa amaldiçoada, sendo completamente esquecida.
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