Seria impossível pintar sobre o amor tanto quanto escrevo sobre a falta dele. Eu te via escrever poemas em suas teclas manchadas enquanto seu cigarro velho entortava detrás de sua orelha.
E eu nunca entendia quando você me dizia que eu era sua única plenitude, logo você que vivia sua vida enquanto eu deslumbrava de minha solidão.
Seus olhos ainda me sussurram a dor da partida, como arranha céus que nunca tocam o paraíso, ainda temos o ar da dor nublando nossas janelas.
E eu ainda penso sobre nossos passos tortos dançando na chuva, na cozinha e no vazio da sala de jantar da casa da sua mãe em pleno domingo de natal.
Tenho o cheiro do seu pior perfume impregnado no meu abraço e conto os dias para nunca mais te ver, mesmo que te veja até dentro de minhas pálpebras .
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