sexta-feira, 11 de abril de 2025

Never coming home

Há lugares em mim onde teu cheiro ainda dorme.
Não importa quantas janelas eu abra, o ar ainda sabe teu nome

Não houve som quando você desabou.
Eles esquecem quantas vezes protegi teu nome por amor, enquanto eu fingia conseguir te salvar

O tempo parou, que nem aquele seu relógio soviético velho. O peito ainda guarda, remendado enquanto luta para esquecer mesmo quando sua presença me desmancha os ossos… um por um

Teu nome ainda escorre quando não vigio.
Teus olhos ainda piscam nos espelhos rachados, e eu sigo, como quem se arrasta pra longe da própria sombra

Teu corpo sempre foi um enigma, e tu insistias em achar que eu tinha as respostas. Teu amor era uma porta entreaberta tão convidativa

Você ainda mora na parte de mim que ninguém toca.
e às vezes, quando a noite abre um buraco no teto, eu deito ali e escuto tua voz sem som dizendo coisas que você nunca teve coragem

E mesmo assim te preparei moradas nos espaços mais íntimos da minha pele, orgulho costurado com linha frouxa pra sempre ter um pouco de ti…

Às vezes penso que morrer de amor teria sido menos cruel do que sobreviver a ele

Tornei-me ruína de um templo que ninguém visita, talvez essa seja minha sina…

Nenhum comentário:

Postar um comentário