Eu te amei na primeira dobra do tempo
No impacto lento de quem se atira no abismo por pura saudade
Você guarda a mágoa sob a língua
Mastigando o silêncio até que ele te sangre feridas não cicatrizadas
Você não é meu único tormento...
Mas por ti eu entregaria a vida, afogaria meus navios
Só que quando olho em seus olhos
Sinto que só enxerga a sombra que restou em mim
Esperando que meus gritos não vão te incomodar...
No desequilíbrio que a beleza do amor se dissolve em dramática trama
Sustentando pontes com os dedos gastos
Num sacrifício oculto que ninguém mais vê
Quando a pressão é insuportável, o chão cede e terra me abraça...
Eu sou a única estragando suas molduras de paz
Sou a culpa e caos
Limpando a mesa e deixando sangue no assoalho
Sempre sonolenta
Esperando que entenda
Que cada pedra que deixaste no caminho
Não te equilibrou em cima do muro
Só o construiu entre nós
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