Eu te desejo com a dor do osso e a fome da carne
Mas minha pele é um mapa de cicatrizes que o mundo me fez
Você me procura com as mãos e eu me encolho
E eu só queria me entregar como quem se desarma
Eu queria nunca te ferir, te adornaria em um pedestal dourado
Onde mais ninguém pudesse tocar
Eu te cantaria repetidas canções para te aninhar em meus braços
E te mostraria o mundo sem que minhas feridas fizessem sombra
Construiria castelos invisíveis numa muralha de gestos gentis
Mas as minhas feridas não me deixam ser abrigo
Mal sabe você que no fundo eu só queria desmoronar nos seus braços
Morrer como um passarinho ferido que encontrou um lugar para se desmanchar em paz
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