quarta-feira, 8 de abril de 2026

Schadenfreude

A dor da perda é a única emoção que não se turva
Como um fantasma que ainda habita o que já deixou de ser

E na raiz que me prende ao lado de dentro onde o ar é mais denso e as cores são de verdade
Você ainda existiria em outro tempo se o silencio não tivesse nos devorado?

Olho para as minhas mãos, elas têm o desenho exato da sua ausência
Carregando lascas um do outro sob as unhas
Como quem mastiga sangue velho no canto da boca

Num vício de buscar o antídoto no próprio veneno
Pedindo remendo para quem segura a tesoura...
Cavando o peito pra te encontrar

Nenhum comentário:

Postar um comentário