eu repito o mesmo gesto como quem lambe a ferida para sentir o gosto do sangue fresco
busco conexões que me rasguem as entranhas, além do gozo, onde a dor vira alimento quente
uma intensidade que lateja no osso…
quero segurar o que não tem raiz, nem semente, nem promessa de chão
tento prender no dente o latão banhado, o brilho falso que me queima a boca enquanto os desejos me afogam os sonhos em ondas grossas e mornas
eu me apego fácil como mosca no mel estragado, vejo no teu olhar o reflexo perfeito da minha própria utopia quebrada e da solidão que me veste por dentro… fico presa nessa inconsistência…
no que eu poderia simplesmente não me importar // mas importo // demais, sempre demais; e repito e repito… até o padrão virar pele e a pele virar jaula
domingo, 19 de julho de 2026
Unheimlich
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