dizem que o final sempre esteve nos erros do início, emaranhado no nosso alicerce como raiz podre que não larga a terra
eu tento recuperar minha face, minhas veias emboladas e apagando tudo que ainda carregue um pedaço teu
eu te apagaria à força se pudesse; sonhando todo santo dia que nunca tivesse te conhecido
queimaria tuas rosas… prego a prego… colocaria ferro nas minhas portas para que nunca mais entrasses, nunca mais proferisses aquelas palavras doces saídas da tua língua áspera e venenosa
fingindo inocência com a solidão que sempre te mereceu, adormecido no ninho da víbora da tua mãe, que te colocaria de volta no útero se o mundo permitisse
e eu, eu te cuidei como se fosse do meu próprio ventre… te protegendo com as unhas e dentes de um teratoma
enquanto você me degolava devagar para que minha cabeça fosse teu troféu, exposto na solidão que você tanto cultiva para se vitimizar
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