sábado, 8 de agosto de 2026

Abracei com força o mais puro nada

como explicar ao estômago que a fome é perigosa
fantasma de um órgão arrancado
cobrando o seu lugar no peito
com a boca cheia de ferrugem

o estômago revirado pela metade
o absinto entornado nas vísceras
o nome preso na garganta feito osso de galinha

rastro de pimenta na língua antes de fechar o peito
a falta pesa feito fígado arrancado no soco
a saudade mora no músculo

ninguém mede a coragem de ir embora do que se ama
fechei a porta por sobrevivência
preservando a dor em estado puro

sei das coisas que me fizeram partir
das palavras que ainda doem quando lembro
dos lugares em mim que você destruiu

se procurar por mim agora
não vai encontrar nada do que eu era
ficou só a pele deixada para trás
que ainda tem todas as terminações nervosas

você me destruiu como ninguém...  

(ouvi que se eu não desistir vai passar, que se eu não pensar muito vai sumir, conforme o tempo passa vai sarar, que se eu fechar os olhos não tá mais aqui) 

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