Teu cheiro de cigarro ainda me gruda a pele
Como o gosto morno do café que tua boca deixava nas minhas coxas frias
Famintas, que aceitavam seu inferno só pra debruçar no seu calor
Ainda sussurrando em silêncio os significados dos desenhos do teu corpo
Como se ainda fosse, um mapa de volta pra mim
Eu te esconderia sob meu colchão velho
Junto às cartas inacabadas que só sabiam falar de ti
Só eu ouvia tuas lágrimas na torre que erguiste em silêncio
Dentro do teu castelo de areia, que sempre desmoronava em mim…
Eu te amei.
De mim, para ti e contigo…
E mesmo assim, tua ausência grita em mim mais alto que qualquer presença
Teu nome ainda ressoa nas rachaduras das lembranças que insistem em voltar
Mesmo quando minha mente esquece todas as vezes em que tua boca
Profanou a inocência do amor
Mas tu eras o tornado… E eu, o corpo arrancado do chão
Atirado sempre de volta à tua estrada de tijolos amarelos
Pois eu confiei… com a inocência de quem não conhecia o gosto da culpa
E tudo o que eu queria era que tu, um dia, quisesse a minha paz
Meus pés sangram…
E tu, mais que ninguém, sabe bem que viver na própria pele é um tormento que não cicatriza
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