Faço e refaço cartas silenciosas
Que poderiam te contar todas as noites que passei em claro
Encenando cada um de nossos infortúnios
Talvez eu não seja boa anfitriã já que abrir demais o peito é minha ruína
E não sei ser metade de nada, afinal, novamente, mal sei quem sou….
Passaria horas a ouvir teu eco de concha devolvendo o mar aos meus ouvidos
Pois tua risada choca minhas montanhas
E o vento me força a recontar todas as vezes em que fomos um…
Não sei se é exagero ou doença
Temos a nossa própria visceralidade e sinto que não existo se não te amar
Com a fome de um cão que chora sem nem saber mais o porquê
Por mais que eu tente erguer pilares, tem horas que sou mais escombro
Mesmo lembrando que por mais do que a metade da minha vida
Eu sempre tenha me sentido sozinha
Tento não te perder mesmo quando o impulso me vomita insatisfações
E meu coração frágil como vidro estilhaçado
Realinha meus pedaços, só para te sentir inteiro de novo
Nunca me cansaria de ti
Embora eu reclame de inúmeras coisas que mal me deixam respirar fora do fatalismo
Às vezes me fecho…
Como uma caixa cuja fita, ao sair, rasga tudo…
Na maior parte do tempo sou, porém, um sapato velho
Que abre a sola ao caminhar
E não posso levantar demais o pé pois nunca sei como vou pisar….
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