domingo, 19 de julho de 2026

A química que a gente sente quando sabe que não pode ficar junto

há em mim um impulso quase litúrgico de salvaguardar tudo… como quem conserva uma chama dentro das mãos até que a própria pele aprenda a cheirar queimado

talvez eu ainda acredite que sobreviver ao martírio me torne digna de um amor igualmente devoto
quero a verdade em sua nudez mais crua… cravada numa cruz de ossos… batizada pelas lágrimas que só o meu exílio sabe nomear

eu te amarraria numa gravata verde apenas para sussurrar, com a boca colada ao impossível, que pisaria no mais absoluto breu sem cordas, sem olhos, perseguindo as fagulhas de uma expectativa de ver da mesma chama e desespero qual fui moldada

blasfêmia; eu te ambiciono com uma fome que me escava por dentro// o destino foi econômico até na crueldade

não nos deu a carne… não nos deu o rosto… não nos deu a memória de um toque para que eu pudesse odiá-lo depois

deixou apenas o desejo e isso é pior…
minhas expectativas cresceram em silêncio, alimentando-se de tudo aquilo que nunca aconteceu…
então volto a te sepultar; não a ti, à possibilidade de ti…
dentro de uma caixa hermética onde guardo todas as vidas que jamais terão o direito de nascer; amém

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